OS COMPORTAMENTOS ADITIVOS NA PANDEMIA

INFORMAÇÃO DA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DE ALCÁCER DO SAL

24 july 2020


Os Comportamentos Aditivos e Dependências (CAD) são comportamentos repetitivos face a uma substância, objeto ou atividade, que se transforma no foco principal da vida da pessoa, excluindo-a de outras atividades e/ou rotinas diárias que anteriormente lhe davam prazer, a que denominamos de centração.

Embora sejam socialmente mais conhecidos os consumos de substâncias como a heroína, cocaína e canábis, os problemas mais prevalentes estão ligados ao abuso e dependência de bebidas alcoólicas, tornando-se cada vez mais visíveis as novas dependências, como o jogo e as redes sociais.  A dependência implica a passagem por fases anteriores de uso e abuso, existindo componentes de personalidade, contextuais e situacionais que modelam a relação estabelecida com a substância ou o comportamento.

Apesar dos vários estudos que a nível nacional e internacional foram realizados, existem ainda poucos dados disponíveis relativamente aos padrões de consumo de substâncias, jogo e redes sociais durante a fase de Confinamento. Ao confinar as pessoas ficaram em casa, alterando as rotinas e, com a maioria dos espaços comerciais fechados, diminuiu a acessibilidade e alteraram-se os padrões de consumo de álcool e outras drogas. Relativamente às novas tecnologias, inevitavelmente o seu uso aumentou, contribuindo não só para o lazer e acesso a informação, mas também como um instrumento importante de trabalho. Foi igualmente uma estratégia utilizada na minimização do impacto do isolamento social, possibilitando que, mesmo à distância, nas relações com amigos e familiares se mantivessem os laços afetivos.

Perante o processo de desconfinamento geral propomos que, em relação à utilização da substância mais consumida no nosso país (as bebidas alcoólicas), aproveitemos o momento para... CONFINAR, ou seja implementar e definir normas de consumo não abusivo, adaptadas aos novos tempos, o que pressupõe o implementar de estratégias de prevenção, como a sensibilização aos comerciantes e consumidores.

Alertamos para a importância do acesso a cuidados especializados, o mais precoce possível, evitando o agravamento do quadro de dependência, minimizando os seus efeitos nocivos nos indivíduos e famílias, bem como nos contextos laborais e sociais. Neste sentido, o médico de família e o CRI são recursos a que poderá recorrer na resposta a qualquer problemática aditiva.