Recomendações e esclarecimentos sobre prevenção e mitigação da COVID-19

03 april 2020


A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, em função das dúvidas que os munícipes vão colocando, deixa algumas recomendações relativamente à COVID-19, nomeadamente :

 

- Promover a lavagem e a desinfeção adequada e frequente das mãos.

O desinfetante apenas atuará se as mãos estiverem limpas. O sabão azul e branco é uma boa opção, embora os distribuidores de sabão líquido tenham a vantagem de evitar a partilha do mesmo sabão entre diversos utilizadores, nomeadamente numa instalação sanitária coletiva. Alguns exemplos de situações que requerem a lavagem das mãos são: sempre que vamos às instalações sanitárias; antes do consumo de alimentos ou preparação de refeições; antes e depois do contacto com doentes e grupos vulneráveis (idosos, doentes crónicos – diabéticos, hipertensos, entre outros); antes da colocação e após a remoção dos equipamentos de proteção, como por exemplo luvas e máscaras; após utilização de equipamentos partilhados disponíveis ao público (multibanco; carrinhos/cestos de supermercado; utilização de elevadores ou de corrimãos); à entrada e à saída dos estabelecimentos que recebam público, nomeadamente estabelecimentos de saúde, lares, escolas, estabelecimentos de venda de produtos alimentares, entre outros; após contacto com mucosas (olhos, nariz, boca). Lavar ou desinfetar as mãos durante pelo menos 20 segundos. Tanto o detergente, como o sabão, como o desinfetante, para poderem remover ou eliminar os vírus ou outros microorganismos patogénicos precisam de algum tempo de contacto. Apenas molhar as mãos, de forma rápida não é suficiente;

 

- Preferir a lavagem e desinfeção frequente das mãos à utilização de luvas.

Apenas é aconselhada a utilização de luvas em situações específicas já que as mesmas dão, frequentemente, uma falsa sensação de segurança, são difíceis de lavar e desinfetar, já que dificultam as técnicas adequadas (pela falta da sensação natural e pela formação de pequenas pregas) e dificultam igualmente o cumprimento dos tempos necessários de contacto com as soluções de lavagem e desinfeção. As luvas promovem igualmente a concentração de microorganismos patogénicos, já que a pele permanece muito tempo quente e húmida e estes são os requisitos necessários ao desenvolvimento da maior parte dos microorganismos patogénicos;

 

- Evitar a utilização de dinheiro ou das teclas dos terminais de multibanco, já que estes são meios perigosos que facilmente contêm vírus e outros micoorganismos patogénicos.

Preferir o pagamento por aproximação do cartão denominado por sistema contactless, sempre que o cartão bancário o permita. A partir de 25 de março o valor permitido para esta modalidade de pagamento foi aumentado para os 50€. Existe igualmente a possibilidade de pagamento através do sistema MBway, que igualmente evita a transferência de dinheiro. Caso tenha mesmo que utilizar o dinheiro ou as teclas do terminal de multibanco, procurar desinfetar as mãos após terminar o processo da compra. Desta forma poderá prevenir o transporte do coronavírus ou de outros agentes patogénicos nas mãos e contaminar tudo onde tocar a partir desse momento;

 

- Saber quais os locais mais críticos quando se desloca a estabelecimentos de venda de produtos alimentares para que possa ter comportamentos defensivos e proativos na descontaminação das mãos. Aqui ficam vários exemplos: maçanetas das portas, corrimãos; torneiras e manípulos/ botões de autoclismo nas instalações sanitárias; pegas dos carrinhos/ cestos de compras; dispensadores de senhas/ impressão de descontos; pegas dos equipamentos frigoríficos; teclas dos terminais de multibanco e das máquinas registadoras (idealmente devem ser cobertas com filme/ película transparente para facilitar higienização e preservar equipamento); balcões; tapetes rolantes; telefones.

 

- Fazer-se acompanhar de uma solução de desinfeção para o caso de não existirem nos locais onde se desloca e caso verifique ser prudente a sua utilização (atenção que a percentagem de álcool deve ser de, pelo menos, 60%;

 

- Utilizar desinfetantes adequados para lavar as superfícies, isto é, que contenham pelo menos 5% de hipoclorito de sódio, que se trata de um composto químico presente sobretudo na lixívia. Para o caso de ser utilizada lixívia pura, a título de exemplo, deverão ser colocadas 4 colheres de chá para 1 litro de água. Naturalmente que a lixívia é muito agressiva para superfícies metálicas, pelo que poderão ser utilizadas soluções que contenham pelo menos 60% de álcool e/ou que contenham água oxigenada (habitualmente designada de peróxido de hidrogénio. Caso sejam necessárias informações mais específicas poderão procurar algumas orientações da Direção-Geral de Saúde, como seja a 14/2020 de 21 de março, disponíveis no site da própria DGS);

 

- Higienizar os pavimentos preferencialmente por via húmida, de forma a evitar o levantamento de pó e, com ele, vírus e outros microorganismos patogénicos. No caso de pretender a aspiração, utilizar preferencialmente aspiradores com sistema de filtragem através de água e/ou munidos de filtros de alta eficiência, designados filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance). Os aspiradores de saco mais comuns são porosos e facilmente deixam escapar as partículas mais finas e com elas microorganismos, como sejam os coronavírus. Naturalmente que os vírus que se possam encontrar no pavimento são menos perigosos do que no ar, já que o novo coronavírus ataca especialmente o sistema respiratório;

 

- Ter particular cuidado com a utilização de máscaras. Se não dominar perfeitamente as técnicas na sua utilização e este domínio requer treino e consciência dos nossos gestos diários, a máscara pode ser perigosa e facilmente espalhar a contaminação diretamente por nós próprios e pelos outros ou indiretamente através das superfícies com as quais contactemos. As máscaras estão especialmente recomendadas para doentes confirmados ou suspeitos, que apresentem sintomas de problemas respiratórios, nomeadamente tosse e espirros, para os cuidadores destas pessoas ou para profissionais particularmente expostos (como sejam os profissionais de saúde ou os bombeiros),  ou no caso de termos que nos deslocar para locais onde existe probabilidade de contaminação, como seja um serviço hospitalar com doentes suspeitos. A pessoa que necessitar de usar a máscara deverá procurar formação na sua utilização antes de a colocar.

 

- Promover a iluminação natural dos espaços, já que o Sol exerce uma ação anti-sética (desinfetante) muito importante, sem qualquer custo. As edificações deverão ser expostas ao máximo à radiação ultravioleta;

 

- Promover a ventilação natural dos espaços. A ventilação reduz os níveis de contaminação dos espaços, reduzindo assim a probabilidade de infeção. Deverá ser promovida idealmente 3 vezes por dia. Naturalmente que terá que se ter algum cuidado com as correntes de ar, já que as mesmas podem transportar ar contaminado de uns compartimentos para outros e, no caso de existirem pessoas com sistemas imunitários mais deprimidos, estas correntes de ar e as diferenças bruscas de temperatura poderão gerar risco para a saúde dos mesmos. De qualquer forma é perigoso permanecer em espaços mal ventilados! Os sistemas por ventiloconvecção (que apenas fazem circular o ar interior) não devem ser usados;

 

- Garantir o afastamento entre as pessoas de, pelo menos, 2 metros, como por exemplo junto das caixas de pagamento, multibancos, restaurantes com take-away, durante conversações com pessoas em espaços públicos, nos refeitórios, entre outros;

 

- Evitar a utilização de elevadores, já que estes espaços concentram pessoas, têm zonas críticas para disseminação do vírus, desde logo os botões (para chamada e para seleção do andar) e os corrimãos internos, mas igualmente não têm exposição solar, nem ventilação natural, com ar fresco do exterior, dificultando a descontaminação do espaço;

 

- Evitar circular em viaturas com lotação completa, como sejam as carrinhas de transporte de passageiros/ trabalhadores;

 

- Deixar o calçado utilizado na rua junto da porta de entrada ou proceder à desinfeção das solas. Se pensarmos em locais de permanência das pessoas mais vulneráveis será útil ponderar a colocação de um lava-pés à entrada (um tabuleiro com uma esponja de cerca de 2/3 centímetros embebida em água com lixívia ou com outro produto desinfetante com base alcoólica ou de água oxigenada - designada por peróxido de hidrogénio, podem ajudar muito). Neste caso assegure que permanece com as solas nessa solução durante pelo menos 20 segundos;

 

- Procurar proteger igualmente os animais domésticos. Apesar de poderem não desenvolver a doença, caso contactem com superfícies contaminadas poderão transportar e espalhar o vírus responsável pela COVID-19;

 

- Denunciar publicações ou anúncios que incentivem atividades turísticas ou de lazer em grupo (já que nem sempre chegam ao conhecimento das autoridades mas que podem comprometer uma boa parte deste esforço coletivo e o nosso Alentejo Litoral é muito apetecível nesse sentido).

 

Uma ferramenta útil para quem queira saber como obter as soluções de lixívia, nas dosagens certas, conforme a concentração original da lixívia que foi adquirida é este site https://www.publichealthontario.ca/en/health-topics/environmental-occupational-health/water-quality/chlorine-dilution-calculator

 

Salienta-se ainda:

- A elevada importância de manter a hidratação diária (que contribuem igualmente para manter as mucosas humedecidas), que muitas vezes é subvalorizada em especial pelos idosos (o maior grupo de risco da freguesia);

 

- A importância de uma alimentação saudável (rica em legumes e fruta);

 

- A importância de manter a exposição solar apesar do necessário isolamento (as varandas, os terraços, os jardins das habitações devem ser utilizados pelos proprietários/arrendatários para este efeito, mantendo as distâncias entre as pessoas). A vitamina D, fabricada a partir da exposição solar, é indispensável para a saúde dos ossos e para a manutenção da saúde mental.