SAÚDE AMBIENTAL E COVID-19 (II)

INFORMAÇÃO DA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DE ALCÁCER DO SAL

16 july 2020


A Saúde Ambiental é determinante na promoção da saúde das pessoas e na prevenção da disseminação de doenças como a COVID-19.

O coronavírus que nos preocupa atualmente já foi isolado a partir de zaragatoas retiradas das aberturas de exaustão em salas ocupadas por pacientes infetados. Esse mecanismo implica que manter uma distância de 2m das pessoas infetadas pode não ser suficiente e aumentar a ventilação é fundamental, devido à remoção de mais partículas de vírus dos espaços interiores.

É do conhecimento geral que o vírus não gosta de ambientes quentes e secos, embora os ambientes demasiado secos também nos sejam prejudiciais pela desidratação mais acelerada que provocam, inclusivamente das mucosas.

A ventilação com renovação de ar é a melhor forma de diminuirmos ou mesmo eliminarmos as partículas e vírus em suspensão, no entanto é preciso interiorizar que a circulação de ar sem renovação do mesmo é completamente desaconselhada. Equipamentos que apenas fazem recircular o ar são prejudiciais, já que facilmente mantêm e promovem a suspensão das partículas virais que são expelidas pelos ocupantes ou que possam estar depositadas nas superfícies, nomeadamente nos pavimentos. Ventiloconvetores, sistemas de ar condicionado (sem introdução de ar fresco), ventoinhas, entre outros são, assim, desaconselhados.

Em espaços fechados deve-se privilegiar a abertura de portas ou janelas para manter o ambiente limpo, seco e bem ventilado. Esta prática torna particularmente importante que as janelas sejam dotadas de redes mosquiteiras. Caso não seja possível abrir janelas, deve-se assegurar o funcionamento eficaz do sistema de ventilação, assim como a sua limpeza e manutenção:

 

• Manter os locais bem ventilados pressupõe, pelo menos, 6 renovações de ar por hora;

• Se necessitar de usar um sistema de ventilação de ar forçado, assegure-se que o ar é retirado diretamente do exterior e não ative a função de recirculação do ar;

• Os sistemas de ventilação e ar condicionado devem ser sujeitos, de forma periódica, a limpeza e desinfeção;

• É recomendado desligar a função de desumidificação, do sistema de ventilação e ar condicionado;

• Deve-se reforçar a desinfeção do reservatório de água condensada e da água de arrefecimento das turbinas do ventilador.

 

Por outro lado os procedimentos de limpeza e os equipamentos que utilizamos serão igualmente determinantes para a saúde ambiental dos espaços. Com o foco na prevenção da COVID-19, deveremos privilegiar a limpeza por via húmida, de forma a minimizar o levantamento de pó. A varredura a seco é perigosa, assim como a utilização de aspiradores, já que a maioria tem sacos porosos que deixam passar e projetam para o ar as partículas mais finas. Apenas se recomendam sistemas de aspiração com filtros de água e/ou com filtros de alta eficiência (filtros HEPA).

No que respeita à limpeza por via húmida, deveremos seguir as orientações da DGS, não esquecendo que a importância da ventilação não se cinge à remoção de vírus e partículas do ar interior, mas igualmente à remoção de substâncias voláteis prejudiciais que se libertam dos produtos de limpeza utilizados, aos quais as crianças estão particularmente vulneráveis.

Não nos esqueçamos de promover a ação desinfetante do sol em todos os compartimentos nos quais seja possível fazê-lo. A radiação UV é o desinfetante mais barato e, nesta altura do ano, muitíssimo disponível!