Apresentação do livro: Os “Pretos do Sado”

12 dezembro 2020
Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal


A Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal recebe no dia 12 de dezembro (sábado), pelas 10h30, a apresentação do livro “Os «Pretos do Sado» - História e Memória de uma Comunidade Alentejana de Origem Africana (Séculos XV – XX)”, da autoria de Isabel Castro Henriques e com apresentação de Manuel Macaísta Malheiros.

Esta iniciativa, que se rege pelas normas determinadas pela Direção Geral da Saúde, é promovida pela Câmara Municipal de Alcácer do Sal e pelas Edições Colibri, contando com o apoio da Direção Regional de Cultura do Alentejo e da Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal.

 


SOBRE ISABEL CASTRO RODRIGUES

Isabel Castro Henriques nasceu em Lisboa, em 1946, tendo-se licenciado em História em 1974, na Universidade de Paris I – Panthéon-Sorbonne. Em 1993, doutorou-se em História de África na mesma universidade francesa, com uma tese consagrada ao estudo da Angola oitocentista, numa perspetiva de longa duração. Professora Associada com Agregação do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, introduziu os estudos de História de África em 1974, orientou teses de mestrado e doutoramento e ensinou durante quase 40 anos História de África, História do Colonialismo e História das Relações Afro-Portuguesas, desenvolvendo hoje a sua investigação histórica sobre África e sobre os Africanos no CEsA/ISEG-Universidade de Lisboa. Além de trabalhos científicos de natureza diversa, como projetos de investigação, programas museológicos, exposições, documentos fílmicos, colóquios e congressos, seminários, conferências, publicou dezenas de artigos e livros centrados nas temáticas históricas africanas.

 


SINOPSE DE “OS «PRETOS DO SADO» - HISTÓRIA E MEMÓRIA DE UMA COMUNIDADE ALENTEJANA DE ORIGEM AFRICANA (SÉCULOS XV – XX)”

“Nos finais do século XIX, José Leite de Vasconcelos registava a presença de uma comunidade de origem africana instalada na região alentejana do Vale do rio Sado. Retomando a questão em 1920, Vasconcelos chamou a atenção para as múltiplas fórmulas que eram utilizadas para designar esses homens e mulheres de pele escura que seriam descendentes de africanos escravos ou livres, ali instalados há séculos, sem que se conhecesse a origem dessa instalação: Pretos do SadoCarapinhas do SadoAtravessadiçosMulatos do Sado.

Constituindo um grupo singular pela sua permanência secular e pela sua especificidade física no espaço alentejano, os «Pretos do Sado» definiam-se igualmente pelo desinteresse da comunidade científica perante a necessidade de esclarecer a sua existência histórica. Este estudo pretende dar a conhecer a história de homens e de mulheres oriundos do continente africano, trazidos como escravos e que foram instalados durante séculos no território do Vale do Sado, provavelmente a partir de finais do século XV.

Mas o espaço temporal deste trabalho estende-se através dos séculos seguintes, procurando nas dinâmicas económicas, sociais e políticas da história de Portugal, os elementos que permitem compreender a sua presença ligada a culturas extensivas como a do arroz a partir do século XVIII e a sua consolidação como comunidade estabelecida, afirmando uma identidade alentejana e portuguesa, que exclui hoje quaisquer marcas culturais significativas de um passado africano.”