À DESCOBERTA…

ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

08 março 2021


Neste Dia Internacional da Mulher partilhamos mais uma peça que se encontra nas Reservas do Museu Municipal Pedro Nunes e que nos conduz a Fortuna, uma deusa muito popular durante a época Romana.

 

Na imagem temos uma lucerna com cercadura enfeitada com cachos de uvas em relevo, dispostos simetricamente. O disco está decorado com a figura da deusa Fortuna, com xiton drapeado com pregas a marcar o corpo, sentada sobre uma cadeira à esquerda, com cornucópia repleta de frutos na mão esquerda, apoiando a mão direita sobre um timão (leme). Estas peças começaram a ser comercializadas na segunda metade do século I /II podendo atingir o século III.

 

Fortuna era a deusa romana do acaso, da sorte, do destino e da esperança e corresponde à divindade grega Tique. Era representada com uma cornucópia e um timão, que simbolizavam a distribuição de bens e a coordenação da vida dos homens, e geralmente estava cega ou com a vista tapada (como a moderna imagem da justiça), pois distribuía os seus desígnios aleatoriamente.

A deusa poderia ser retratada como “Fortuna Primigenia” (a primeira mãe, que dirige a sorte da criança em seu nascimento); “Fortuna Augusta” (a fortuna do imperador); “Fortuna Victrix” (que traz a vitória na batalha) ou “Fortuna Publica Populi Romani” (a boa sorte oficial do povo romano). Seja honrada como deusa pessoal, das mães, dos soldados, da prosperidade ou destino do império romano, possuía muitos templos e centros oraculares em sua homenagem. Foi das divindades mais reconhecidas pelas suas capacidades divinatórias de tal forma que Cícero, filósofo e escritor dos séculos II-I a.C., lhe dedica uma obra “De divinatione”. Estudos demonstram que, mesmo com o advento do Cristianismo, há registos da simbologia da Roda de Fortuna na arte, poesia e filosofia durante toda a Idade Média. Ela aparece tanto em manuscritos, como nos vitrais das catedrais. Um destaque da época seria o livro Consolação de Boécio, onde o filósofo reflete acerca da visão teológica cristã sobre o acaso e a providência divina, análise que aponta Fortuna como uma serva da vontade de Deus e acaba por fortalecer a sua figura popular de Senhora do Destino.