Esta secção apresenta uma caracterização do concelho, desde os dados geográficos e de enquadramento, passando pela História e vida das personalidades mais marcantes ligadas a Alcácer do Sal, contemplando ainda informações básicas sobre as freguesias, o património natural, edificado, arqueológico e etnográfico e a tão apreciada gastronomia.

Geografia



Alcácer do Sal é uma cidade histórica, debruçando-se em anfiteatro sobre o rio Sado, povoada de velhos bairros medievais e encimada por um castelo de base muçulmana. É a sede de um município de grandes dimensões (o segundo maior do país), com 1479,94 km² de área, mas apenas pouco mais de 13 mil habitantes, subdivididos em quatro freguesias: Comporta, São Martinho, Torrão e União das Freguesias de Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana.

O concelho é limitado a norte pelos municípios de Palmela, Vendas Novas e Montemor-o-Novo; a nordeste por Viana do Alentejo; a leste por Alvito; a sul,por Ferreira do Alentejo e Grândola; a oeste também por Grândola, através de um braço do estuário do Sado; e a noroeste, através do estuário do Sado, por Setúbal.

A poucos quilómetros da cidade de Alcácer, seguindo o curso do rio Sado para jusante, encontra-se a Reserva Natural do Estuário do Sado, que se desenvolve ao longo de cerca de 23.160 hectares, a maior parte dos quais corresponde a zonas húmidas, nomeadamente canais, esteiros e sapais.

 

Locais de interesse:


Torrão – O encanto desta freguesia emana das ruas e das casas encimadas por enormes chaminés. Recebeu foral manuelino em 1512 e terá sido berço de Bernardim Ribeiro, famoso poeta e escritor quinhentista.
A 35 quilómetros da sede do concelho, possui uma igreja paroquial, que é monumento nacional. Fora da vila, a caminho de Vila Nova de Baronia, surge, na extensa planície, uma construção singular – joia da arquitetura popular – a Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Numa paisagem de olivais e trigo não faltam os rebanhos de ovelhas, cujo leite permite o fabrico de produtos de qualidade: queijo e queijadas. No vale de Xarrana (afluente do Sado) ressaltam as azenhas e os freixos.
A barragem de Vale do Gaio é um dos locais ideais para a prática de vela, windsurf e pesca desportiva. Junto às suas águas existe um esplêndido hotel a convidar ao repouso e à contemplação da paisagem da região.

 

Comporta - Esta aldeia com crescente importância turística situa-se a pouca distância da costa oceânica e tem um conjunto arquitetónico equilibrado, que constitui um testemunho contra a uniformização e despersonalização típicos do desenvolvimento moderno. Uma das principais produções desta zona é o arroz. Destaca-se, nesta freguesia, a Carrasqueira, um povoado de pescadores integrado na Reserva Natural do Estuário do Sado cujas atividades dos seus habitantes se dividem entre a lida da terra e a faina marítima. A última é uma das atividades tradicionais das populações estuarinas que maior expressão económica tem atualmente. Destaca-se o porto de pesca palafítico, construção única na Europa que oferece uma boa perspetiva sobre os sapais. Ainda existem aqui as tradicionais habitações feitas em madeira, caniço e “bacejo” ou “estorno”.

 

Santa Susana – Pequena aldeia de casas brancas a sobressair das searas e dos sobreiros. Destacam-se a igreja e as suas duas magníficas pinturas sobre madeira, do séc. XVI. A barragem de Pego do Altar, nesta freguesia, é também convidativa. Entre os bosques e o céu azul, a superfície espelhada das águas presta-se aos prazeres e ao desafio das atividades aquáticas.

 

Herdade do Pinheiro – Constitui um exemplo de arquitetura e urbanismo populares, com casas brancas ordenadas num conjunto equilibrado. Do alto do Monte do Pinheiro dá para ver uma grande parte do estuário do Sado. Aqui nidificam várias espécies de aves, anatídeos e limícolas. Durante a época romana existia nesta herdade um centro industrial de salga de peixe, considerado um dos mais importantes do Mediterrâneo Ocidental.

 

Abul - De fundação fenícia, é um edifício de orientação comercial datado do século VII – VI a.C. 

  

Villa Romana de Santa Catarina de Sítimos – Estação arqueológica onde foram desenvolvidas escavações em 2006 e 2007, que revelaram uma piscina monumental e um santuário provavelmente dedicado à deusa Vénus. É possível efetuar visitas guiadas, com marcação prévia junto do Posto de Turismo ou do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.



Dados Estatísticos


De acordo com os Censos 2011 do Instituto Nacional de Estatística (INE), Alcácer do Sal tem 13.046 habitantes, o que representa uma variação negativa de 8.69% face aos 14.287 habitantes registados nos Censos de 2001.

taxa bruta de natalidade no concelho de Alcácer do Sal é de 6,4 por cada conjunto de mil habitantes (2011), ao passo que a taxa bruta de mortalidade é de 12,9.

Em relação às qualificações da população, a taxa de analfabetismo desceu de 20,3% (ano de 2001) para 13,1% em 2011. Ainda em 2011 existiam em Alcácer do Sal 2.029 pessoas sem qualquer formação escolar, 4.450 tinham o primeiro ciclo do ensino básico e 1.858 tinham concluído o ensino secundário. De entre a população residente, 1.061 concluiu um curso de formação superior.

Eis mais alguns dados estatísticos pertinentes referentes ao concelho de Alcácer do Sal:

 

Indicadores demográficos (Censos INE 2011)

- Densidade populacional nº/km2 » 8.7

- Taxa de crescimento efetivo » 0.58%

- Taxa de crescimento natural » 0.64%

- Taxa bruta de natalidade » 6.4‰

- Taxa bruta de mortalidade » 12.9‰

- Taxa bruta de nupcialidade » 2.5‰

- Taxa bruta de divórcio » 1.8‰

- Taxa de fecundidade geral » 33.3‰

- Índice de envelhecimento » 198.9%

 

Indicadores de qualificação da população (Censos INE 2011)

- Taxa de analfabetismo » 13,1%

- Nº pessoas sem qualquer formação escolar » 2.029

- Nº pessoas com o primeiro ciclo do ensino básico » 4.450

- Nº pessoas com ensino secundário concluído » 1.858

- Nº pessoas com curso de formação superior concluído » 1.061

 

Indicadores de saúde (Censos INE 2011)

- Enfermeiros por mil habitantes » 2.0

- Médicos por habitante » 0.7

- Farmácias e postos farmacêuticos móveis por mil habitantes » 0.4

- Consultas por habitante » 3.5

 

Gastronomia




A gastronomia de Alcácer do Sal prima pela sua riqueza. Baseada na trilogia mediterrânica que combina pão, azeite e vinho, os habitantes locais adicionaram-lhe ervas aromáticas e outros produtos da terra, com destaque para a carne de borrego, porco e caça.


Destaque ainda para o papel do arroz, do pinhão e de outras especialidades que sazonalmente nascem de forma espontânea pelos campos do concelho, caso dos espargos selvagens, das túbaras ou das carrasquinhas.


São reconhecidos como pratos típicos da região: ensopado de enguias, migas de pão ou de batata, borrego assado no forno, coelho frito à  S. Cristóvão, batatas de rebolão com entrecosto, ensopado de borrego, sopa de beldroegas, sopa de peixe, achigã grelhado, massa de peixe, feijão adubado e açorda (prato bastante diversificado que se pode comer com: azeitonas, bacalhau, uvas, figos, peixe frito, pescada, sardinhas assadas ou amêijoa). Destacam-se ainda os produtos de confeção tradicional, como os enchidos e queijos de ovelha, que são bastante apreciados.


A gastronomia de Alcácer prima ainda pela doçaria conventual. São famosas as suas receitas (algumas delas secretas) em que a qualidade dos géneros se combinou com a mestria dos confecionadores para produzir requintados paladares. É preciso não deixar de saborear as pinhoadas, a tarte de pinhão, os rebuçados de ovos, o bolo de mel, as queijadas de requeijão, os salatinos, o bolo real e os pastéis de feijão e amêndoa.



Sugestões de Receitas...

 

Feijão de cor guisado


Ingredientes (4 pessoas):
5 dl de feijão avinhado
1 cebola
3 colheres de sopa azeite
1 ramo de salsa
125 gr linguiça (chouriço de carne)
4 ovos
Sal e pimenta
150 gr de pão caseiro ou de segunda


Preparação:
Coza o feijão em água simples sem o deixar desfazer. À parte faça um refogado com a cebola picada, o azeite e a salsa. Junte posteriormente o feijão cozido, a linguiça cortada às rodelas e um pouco da água que serviu para cozer o feijão. Tempere com sal e pimenta e deixe apurar.
Na altura de servir, escalfe os ovos diretamente no feijão. Corte o pão em fatias finas e coloque-as numa terrina. Deite por cima o feijão depois de retirados os ovos, os quais se dispõem cuidadosamente por cima.


Fonte: Cozinha Tradicional Portuguesa (Editorial Verbo, 1998)

 



Feijão-verde à alentejana


Ingredientes (4 pessoas):

750 gr de feijão-verde
1 cebola média
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de banha ou margarina
1 kg de tomate maduro
1 dente de alho
1 folha de louro
1 molho de salsa
4 batatas médias
1 cenoura
Sal e pimenta
200 gr de pão caseiro duro


Preparação:
Pique a cebola e o alho e estale-os com o azeite e a banha. Junte o louro e a salsa atada. Deixe refogar sem alourar e adicione o tomate sem pele e sem grainhas e esmagado com as mãos. Regue com um pouco de água e, depois de cozer por um momento, junte a cenoura às rodelas.
Entretanto, corte o feijão em diagonal e as batatas em cubos. Junte ao preparado anterior e acrescente um pouco mais de água, conforme o necessário – o cozinhado deverá ficar com bastante molho. Tempere com sal e pimenta.
Corte o pão em fatias finas para uma terrina e verta o guisado. Pode servir, ao mesmo tempo, rodelas de chouriço de carne cru.
Sirva como entrada em vez de sopa. Na altura da segurelha, junte um pezinho ao mesmo tempo que o feijão.


Fonte: Cozinha Tradicional Portuguesa (Editorial Verbo, 1998)




Migas de batata


Ingredientes (4 pessoas):
1 kg de batatas
250 gr de toucinho entremeado
300 gr chouriço de carne
1 dente de alho
sal


Preparação:
Corte o pão em fatias finas e coloque-as num tacho de barro. Introduza os dentes de alho pisados, tempere com sal grosso e regue com água a ferver. Abafe para que o pão amoleça. Passados alguns minutos escorra a água e esmague o pão com uma colher.
Faça um buraco no centro e deite aí o azeite. Leve o tacho ao lume e, com a colher de pau, ajeite as migas em forma de bola – quando for atingida esta forma, as migas estão prontas.
Estas migas acompanham-se com peixe frito ou bacalhau assado na brasa. Fazem-se, normalmente, para aproveitar pão duro (neste caso, é necessário colocar o pão de molho e posteriormente escorrê-lo e espremê-lo).



 




Pinhoadas


Ingredientes:
1 chávena de mel
2 chávenas de pinhões


Preparação:
Leve o mel ao lume e deixe levantar fervura. Junte os pinhões, mexa e deixe o mel ganhar ligeiramente ponto.
Deite o preparado numa base previamente humedecida e fria e, com as mãos também passadas por água fria, bata o doce até obter uma camada mais ou menos regular. Esta operação deve ser rápida. Em seguida, com uma faca aquecida em água a ferver, corte o doce em tiras.
Sirva num prato ou sobre bocadinhos de hóstia (obreia) ou folhas de laranjeira.


Fonte: Cozinha Tradicional Portuguesa (Editorial Verbo, 1998)

 



Bolo real


Ingredientes:
500 gr de açúcar
250 gr de miolo de amêndoa ralada
10 gemas de ovos + 5 ovos inteiros
200 gr de pão ralado
1 colher de canela em pó
1 chávena de ovos moles
10 claras de ovos batidas em suspiro com 10 colheres de sopa rasas de açúcar


Preparação:
Leve o açúcar ao lume até fazer ponto de cabelo. Retire-o do lume, junte as amêndoas raladas, as dez gemas e os cinco ovos inteiros e leve novamente ao lume até fazer castelo pequeno. Retire novamente do lume e adicione o pão ralado. Trabalhe muito bem esta mistura, junte a canela e deite-a numa forma bem untada com margarina e polvilhada com farinha sem a encher completamente. Leve ao forno brando e deixe cozer. Depois de arrefecer, desenforme, abra ao meio e recheie com metade dos ovos-moles.
Bata as dez claras em castelo forte, junte dez colheres rasas de açúcar, continue a bater até ficarem em merengue. No momento de servir, salpique com a outra metade dos ovos-moles.