Em setembro, mês de São Miguel, realizava-se junto ao Santuário do Senhor dos Mártires a Festa do Bom Jesus dos Mártires, mais conhecida por Festa dos Malteses. Os “malteses” eram homens que andavam de terra em terra, carregando consigo pouco mais do que a roupa que traziam no corpo, uma manta e um bordão. Percorriam os montes e as pequenas povoações pedindo abrigo e comida. Na Festa do Bom Jesus dos Mártires faziam-se peditórios a favor dos malteses que afluíam a Alcácer por ocasião da festividade, daí que tenha ficado conhecida por Festa dos Malteses.


Com um caráter religioso e pagão, a festa durava três dias, de sábado a segunda. Havia uma missa cantada e realizava-se uma procissão. No recinto da festa faziam-se quermesses e várias barracas vendiam bebidas, frutas, pirolitos (uma espécie de chupa-chupas feitos à base de mel ou açúcar) e queijadinhas de Sintra. À noite, os homens saíam para as cegadas. Percorriam então as ruas da cidade vestidos com uma camisa branca, de lenço ao pescoço e armados de uma guitarra, cantando à desgarrada. No recinto da festa, rapazes e raparigas animavam os bailes e assistiam ao fogo de artifício.


A festividade atraía muitas pessoas vindas de fora. Oriundos de Setúbal, numerosos barcos desciam o Sado e atracavam no cais da Ribeira Velha, trazendo, todos os anos, muitos romeiros para a festa.


Com o passar do tempo, a romaria do Senhor dos Mártires foi perdendo a sua importância social e religiosa pelo que deixou de se realizar. Nos últimos anos têm, todavia, sido desenvolvidos esforços para retomar esta tradição, de tal modo que, em 2015 a Irmandade do Senhor Jesus dos Mártires – Alcácer e Arquidiocese de Évora – Paróquias de Alcácer do Sal, com o apoio da Câmara Municipal e da União das Freguesias, promoveu uma renovada e animada Festa do Senhor dos Mártires.