Bernardim Ribeiro


A lenda dos amores secretos de Bernardim Ribeiro com a infanta D. Beatriz deu a Almeida Garrett a intriga para o seu drama "Um Auto de Gil Vicente". Um documento judicial atribuiu data e locais seguros (1552, Hospital de Todos-os-Santos em Lisboa) à sua morte. Um outro documento contou a história dos seus amores não correspondidos com uma prima que enlouqueceu o poeta. 


Tudo fantasias já desmascaradas.


Pouco se sabe da biografia de Bernardim Ribeiro, além de alguns dados na sua obra e alusões na poesia do amigo Sá de Miranda. Filho de Luís Esteves Ribeiro (que trabalhava como tesoureiro do infante D. Fernardo, filho do rei D. Manuel), nasceu na vila do Torrão por volta de 1482 e frequentou o curso jurídico da Universidade entre 1507 e 1512. Casou com D. Maria Vilhena, filha de D. Manuel de Meneses, senhor de Cantanhede, que o deixou, poucos anos depois, viúvo e com uma filha.

 

Nomeado escrivão da câmara de D. João III em 1514, frequentou a corte de Lisboa e participou nos serões do paço. Alguns dos seus poemas foram incluídos no "Cancioneiro Geral" de Garcia de Resende (publicado em 1516).

 

Outros dados biográficos indicam também que terá militado nas armadas da Índia e exercido funções de moço-fidalgo, capitão da fortaleza de São Jorge da Mina e comendador de Cristo no reinado de D Manuel.

 

Além de 12 poemas incluídos no Cancioneiro Geral, é autor de cinco éclogas, de uma sextina e da novela incompleta "Saudades" (mais conhecida por "Menina e Moça"), publicada pela primeira vez em 1554 na cidade de Ferrara (Itália) sob a orientação do judeu exilado Abraão Usque. Este facto, associado ao forçado afastamento da corte de Bernardim, tem alimentado especulações de que seria de origem judaica, mas não há documentos que o confirmem.

 

Como não há certezas do ano do seu nascimento, também se desconhece o ano em que morreu. Alguns autores situam-no por volta de 1552, mas na écloga "Basto", redigida antes de 1544, Sá de Miranda refere-se ao “bom Ribeiro amigo”, dando-o como falecido.

 

Restam dele um livro, meio romance de cavalaria, meio romance pastoril. É o autor que marca a transição entre os dois géneros. Quando a escola clássica se desenvolve, encontra-se na lírica de Bernardim os últimos ecos da poesia provençal. Dele, afirmou Garrett, “Não houve poeta português que escrevesse mais com o sangue do coração”.